Está cansado da pressa.
Madrugada de quinta-feira, café já frio no copo americano e um videotape de futebol na televisão. Algumas bolachas, salgadas. Há pelo menos quatro verões, sofre daquela insônia intelectual: questiona os trechos de livros que lhe foram oferecidos desde a alfabetização; pergunta-se o quão intenso é aquele curso de graduação que chegara ao final; implora pelo fim da vida enquanto receita de bolo, como se um ingrediente a mais ou a menos significasse menor projeção num futuro previsível.
O time de amarelo pressiona, vai virar o jogo. O café chega ao fim. Às bolachas, farelos para debaixo da saudade.
Decidira ter calma. Cadência. Definitivamente não foi feito para acelerar tal como os mortais que agonizam a cada noite em claro. Estabelecera metas claras, mas sentira que não quer cumprí-las. Quer saber como buscar o improvável. Tornar surpresa a própria expressão do rosto sob o espelho do amanhecer, e fazer inesquecível o mais comum crepúsculo visto da janela do trem.
Pressão dos amarelos, que parecem ter cafeína nas veias e seguem atacando noite dentro. Só levanto se for pra achar que roubou minha nostalgia.
À frente, os estudos, frios, objetivos e descartáveis do tipo fotocópia. O trabalho que se formula numa série de repetições do mesmo tema. As conversas desgastadas, de amizades que se fundem entre novas e velhas, mas penam numa cabeça sem repentinas novidades.
Contra-ataque dos de preto. O futebol é mesmo incrível. Dúvida é se meu pessimismo tem forças para deixar o campo de defesa.
Amores de complicada resolução. Era uma pessoa pouco didática. Completara vinte anos e onze meses com a certeza de acordar cada dia mais incerto com seus conceitos. Embaralhados. Do tipo de cartas que querem parecer combinadas num jogo de azar, mas saem em ordem inversa e soam como derrota premeditada.
A torcida grita e insiste. O copo clama por mais café. Eu clamo por gritos que possam ser ouvidos no mais amplo dos palcos.
Música baixa, não há motivos para comemorar. Um dia houveram? Nem punk para um rock, muito menos bossa nova pra aqueles sambinhas João Gilberto. Pesado para o reggae, talvez chegou a hora em que ele deixara que o único som seja das batidas de um coração sem ritmo.
Os amarelos venceram. A cafeína venceu, passou. Mais uma dose de paciência ou caio de pé .
3 toque:
na madrugada que eu percebo que os dias insistem no sempre. sempre igual.
Trocamos algumas divagações (no MSN) sobre um assunto q ronda as nossas madrugadas. Faltou citar isso hahhaa...
Curti, Junão.
Um abraço.
juneco...
cadê seus textos?
sinto falta!
bjos
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