a nossa espontaneidade nos impede de combinar um destino antes do anoitecer - fingimos não ter rumo, de maneira saudável. me encanta o jogo de palavras e teu riso sincero enquanto me ouve contar uma infinidade de causos e histórias com meia-graça, brincar com ironias. do mundo lá fora nos fizemos ausentes, só ouço os barulhos dos carros na avenida em meio aos goles de chopp e os cochichos de um casal da mesa de trás. quem diria, nós, distantes até a última folha do calendário, tão juntos. falamos de noitadas perdidas, de cicatrizes como forma de remeter o pretérito. agora é hora de puxar a cadeira e sentar do meu lado: pede uma bebida quente enquanto aqueço seus braços, sinto você colada em mim como naqueles filmes de final feliz. não temos hora de partida, que bom, perdemos tanto tempo em maios passados. nos resta aproveitar cada gole de alegria, cada porção de gargalhadas, e fazer valer cada momento em que sinto seus olhos refletidos nos meus. despindo meus sentimentos sobre tua pele macia, sinto o gosto de teus lábios que tanto queria sentir. a timidez foi substituída por um carinho sem limites. entrelacemos as mãos, e te convido para trocarmos sorrisos cada vez mais próximos e íntimos. vem, chega mais perto, o frio agora é da madrugada, e no sereno que paira por cima dos coqueiros da calçada, mergulho em você, feito a cereja de tua dose de martini.
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