segunda-feira, 30 de junho de 2008

banalização do niilismo moderno

Começo pelo final: sim, esse foi um discurso bem vazio para a grande maioria de leitores ou ouvintes. Isso porque ele vai contra essa necessidade de conceitualização das coisas, essa regulamentação da vida, das atividades que exercem, da continuidade natural, ou tradicional, dos fatos.

Vazio por não estabelecer uma evolução conservadora da história de determinado homem: deixe-o pairar entre o homem idéia e o homem trabalho, deixe-o viver na dualidade entre o tornar-se ímpar e o de ser número: credito essas variações à capacidade que os humanos tiveram na distribuição, exploração e povoamento do meio em que vivem, o que ampliou a diversidade de reações, crenças e pontos em comum ou discordantes.

Vazio por não se importar na definição física ou prática do lugar. A relativização das coisas nos faz pensar no porquê de existirem medidas, tamanhos e distâncias se tudo se torna tão subjetivo e pessoal.

Vazio por confiar na barbárie como algo que nasce na essência do homem, a negação ao estranho, a retenção à diferença, e o surgimento de uma desigualdade primariamente cultural. Não acredito nos deuses, mas assim como respeito na crença coletiva de determinada comunidade ou sociedade, confio em uma devoção individual, na valorização dos princípios e na manutenção de éticas básicas, como o direito ou a educação.

Vazio por não conseguir o equilíbrio entre o hedonismo e a socialização dos prazeres e deficiências de um país tão segregador. Vazio por não ter ao certo a noção de cada simples atitude nossa, nem a preocupação da individualização dos sentimentos e sensações. Vazio por permanecer no abismo que questiona o planeta a cada segundo: o porquê de tudo isso.

Vazio por rebaixar o homem a uma representação mínima, sem sentido, sem contexto, e ao mesmo tempo crer no paradoxo com a dimensão que cada um deles e nós podemos exercer.

Vazio pelo julgamento superficial perante a tecnologia, a imaginação fantasiosa, a representação não-perfeita do natural e puro.

Vazio por não se submeter a julgamentos. Por ver arte no dadaísmo, a chamada negação da mesma, no movimento de vanguarda non-sense. E por que não, por ver arte no cubismo, a milimétrica manifestação da geometria como arte.

Vazio pelo simples fato de utopicamente repensar o pensamento, folhear livros, vasculhar rabiscos de canto de folha. E para que ao pensar no niilismo, reflita a contradição existente, e pense, e pense, e pense. Para que nesse polissíndeto de teorias mal afinadas, possa chegar à conclusão nenhuma.

Vazio por essa elipse das explicações, esse raciocínio do improvável inconseqüente.

Termino pelo começo: prepare-se para questionar tudo, mas nem sempre negar-se a pensar em nada.